Artigo



TELEJORNALISMO

ANÁLISE DO PORTAL CARTA CAPITAL


Aloma Brito e Paloma Nogueira

RESUMO

Este trabalho apresenta por meio de revisão bibliográfica e análise do portal da revista Carta Capital, uma breve discussão sobre a imprensa e a convergência midiática com o objetivo de compreender a linguagem utilizada nessa plataforma bem como avaliar os recursos utilizados nas reportagens como links, vídeos, áudio, etc. A Convergência Midiática tem permitido diferentes possibilidades quanto à construção da notícia, pois envolve a participação do leitor estimulando-o a contribuir com o conteúdo e a divulga-lo em seus perfis sociais.  Ao longo dos últimos anos, as empresas de comunicação foram obrigadas a se adequarem às novas tendências do mercado. Elas passaram a observar o consumo massivo da sociedade pelos conteúdos publicados na internet e o aumento da publicidade nesse setor, buscando assim a adaptação dos seus produtos no mercado. É importante salientar que a organização empresarial e a redação trabalhem em parceria para otimizar a qualidade dos produtos oferecidos. Dessa forma, este trabalho tenta analisar e sugerir mudanças quanto à estrutura e composição das reportagens postadas.

PALAVRAS-CHAVE: Jornalismo, Carta Capital, reportagem e Convergência Midiática.

INTRODUÇÃO

O mercado de comunicação tem passado por diferentes reformas na sua estrutura e, a principal responsável por essas mudanças, é a internet. Desde o advento e ampliação da rede web, o jornalismo agregou novas características como nunca havia acontecido em toda a sua trajetória, possibilitando que a nova forma de se comunicar mudasse antigos conceitos do ‘fazer jornalístico’ e popularizasse ainda mais o consumo da informação. Por muito tempo, a nova plataforma foi apenas a reprodução fiel do produto impresso de muitos veículos de comunicação, porém, muitos jornalistas têm repensado sobre os conteúdos publicados na rede, compreendendo que o jornalismo feito para a web necessita de narrativa mais específica, uma vez que o fluxo de informações é constante, imediato e, na grande maioria das vezes, multimidiático. A participação do leitor, por muito tempo coadjuvante, também pode ser caracterizada como uma questão relevante na elaboração do conteúdo, bem como a introdução das redes sociais e recursos audiovisuais. Este trabalho se propõe a analisar as reportagens disponibilizadas no site da revista Carta Capital, passando por revisão bibliográfica, para melhor compreender a dimensão da convergência e as novas formas de audiência propostas para o web jornalismo.

I. IMPRENSA E A CONVERGÊNCIA MIDIÁTICA

O jornalismo nasceu da tradição literária, passando por diferentes gêneros até chegar ao patamar onde se encontra, em constante processo de construção e evolução. A arte de contar histórias passou a ter um caráter mais profissional a partir das teorias da comunicação e critérios de noticiabilidade, deixando de ser o simples relato de fatos passados e se preocupando cada vez mais com a dinâmica do tempo, as denúncias, a participação dos atores sociais e as novas formas de audiência, com a chegada do webjornalismo. Os empresários da comunicação perceberam na internet uma grande aliada para massificar ainda mais o consumo de informações, além de abrir portas para um significativo aumento da publicidade nesse setor. Contudo, nem sempre foi assim. O contínuo crescimento da internet, fez com que ela mudasse completamente algumas profissões como o jornalismo. Ainara Ureta remete essa transformação “El desarrollo tecnológico permitió hace algo más de una década que Internet se convirtiera en soporte periodístico, revolucionando aspectos fundamentales de una profesión que hoy se sitúa en un entorno hipertextual, multimediático e interactivo”. Dessa forma, a busca da narrativa específica para a web gera significativa reestruturação completa em todas as etapas que compõem a atividade jornalística, através do aumento na interação com o público e com as diferentes plataformas, o que denominamos Convergência Midiática. De acordo com Jenkins (2008), é preciso estar atento à convergência dos meios de comunicação, à cultura participativa e à inteligência coletiva. Segundo o autor, o comportamento migratório nas redes passa pela busca de conteúdos até entretenimento por meio de diferentes suportes midiáticos. A circulação de conteúdos, então, é manipulada pelo usuário através de uma participação ativa. Mas isso não exclui os formatos tradicionais de comunicação: “Se o paradigma da revolução digital presumia que as novas mídias substituiriam as antigas, o emergente paradigma da convergência presume que as novas e antigas mídias irão interagir de formas cada vez mais complexas” (JENKINS, 2008 – p.30).
Ao longo dos últimos anos, as empresas de comunicação foram obrigadas a se adaptarem às novas tendências do mercado. Elas passaram a observar o consumo massivo da sociedade pelos conteúdos publicados na internet e o aumento da publicidade nesse setor, buscando assim a adaptação dos seus produtos no mercado.
Para Salavérria (2011), a dimensão empresarial corresponde ao nível mais geral das empresas, estando ligadas ao setor econômico, administrativo e editorial. É preciso uma reformulação dentro do projeto editorial da instituição e a publicidade tem um papel fundamental nessa perspectiva, pois ela tem um foco diferenciado quanto à produção para a Web. Geralmente as empresas promovem um projeto cruzado, ou seja, a publicidade é feita nas diferentes plataformas como uma opção de obter lucro para manter as diferentes mídias da instituição de comunicação.  A segunda dimensão seria a tecnológica, que está direcionada às plataformas físicas do trabalho desde a época das máquinas de datilografias até o ciberespaço.  Com o advento das diferentes mídias eletrônicas, as empresas tiveram que adaptar conteúdos às plataformas e, para isso, foi necessário uma reestruturação desde a direção até a redação. A dimensão comunicativa seria o acesso do usuário diante as novas tecnologias e a sua interatividade no processo de manipulação e criação do conteúdo. O consumidor dessa mídia passa a fazer parte da construção do conteúdo e, por sua vez, tem liberdade para transitar na Web acessando diferentes plataformas por meio de hiperlinks e também expondo comentários. Por fim, a última dimensão é a profissional multitarefa (a dimensão profissional não se chama profissional multitarefa. Este é apenas um tipo de profissional que atua nos processos de convergência) que está ligado ao profissional multiespecialista ou multiplataforma.
Dentro dessas dimensões, a convergência midiática passa a ganhar novas características. De acordo com Jenkins (2008), é preciso estar atento à convergência dos meios de comunicação, à cultura participativa e à inteligência coletiva. Segundo o autor, o comportamento migratório nas redes passa pela busca de conteúdos até entretenimento por meio de diferentes suportes midiáticos. A circulação de conteúdos então é manipulada pelo usuário através de uma participação ativa. Mas isso não exclui os formatos tradicionais de comunicação: “Se o paradigma da revolução digital presumia que as novas mídias substituíram as antigas, o emergente paradigma da convergência presume que as novas e antigas mídias irão interagir de formas cada vez mais complexas” (JENKINS, 2008 – p.30).
Além da relação entre as novas e velhas mídias, o novo contexto social e tecnológico onde se encaixa o jornalismo atual com o advento da internet, define que a interação ultrapassa as barreiras dos veículos ampliando a participação dos usuários. Para Ricardo Nunes, “Se o ciberespaço é o palco dos que produzem informação e conteúdos, não deixa de ser verdadeiro que os leitores, os utilizadores da Net, são igualmente obreiros que assumem a construção de uma narrativa baseada na interatividade permanente”.
No âmbito jornalístico, o consumidor passa a interagir com as redações pela proximidade que a internet proporciona por meio de comentários e recursos como hipertexto, infográfico, links agregadores, vídeos, etc.
De acordo com Salaverria (2005), o Ciberperiodismo exige uma nova linguagem, ou seja, é uma nova forma de se fazer jornalismo, uma nova modalidade profissional que converge princípios básicos como o saber, a investigação, a produção e a difusão dos conteúdos. O teórico divide o ciberperiodismo em jornalismo online, digital, em rede, eletrônico e multimídia e define o ciberjornalismo como “la especialización del periodismo que emplea el ciberespacio para investigar, producir y, sobretodo, difundir contenidos periodísticos” (2005, p.21). O autor também fala sobre os blogs, que têm se tornado uma ferramenta comum entre os profissionais da área e considera uma nova possibilidade dentro da modalidade do jornalismo no ciberespaço: “[...] a medida que se multiplican los lugares com conexión inalámbrica a internet, muchos autores de weblogs han comezado a realizar crônicas em directo de eventos de los que son testigos o incluso participantes” (2005, p.63). O mercado está aberto e proporcionando uma série de possibilidades de trabalhar conteúdos jornalísticos na internet. Para isso, o novo profissional de jornalismo deve ter em mente a necessidade de compreender a importância da polivalência para atuar no ciberespaço e buscar compreender e manipular as ferramentas disponíveis e necessárias para atuar nessa nova perspectiva.
De acordo com Nogueira (2009), os veículos de comunicação tentam agregar à Web recursos como hiperlink, gráficos animados, vídeos, áudio e imagens na composição das matérias, contudo a estrutura permanece da forma tradicional, como uma reprodução dos modelos tradicionais utilizados em impresso, por exemplo. A narrativa multimidiática passa a ganhar espaço quando há uma compreensão da necessidade de utilizar tais recursos para complementar a notícia.
A utilização de diversos outros recursos na divulgação da notícia, permite com que a mesma possa ser vista de diversos ângulos ampliando ainda mais a sua compreensão para diversos públicos. Contudo, essa presença de outros elementos agregados à notícia, ainda vem sendo utilizados de maneira bem tímida pela maioria dos veículos e, em muitos casos não exercem a função de complementariedade, tornando-se assim, simples repetidores do que já foi escrito na redação. 
O grande questionamento dos estudiosos e profissionais da área vem sendo como utilizar de maneira apropriada e pertinente a utilização destes recursos multimídia na rotina jornalística. Porém, de outro ponto, será que o público consumidor das notícias está preparado para receber e aproveitar tantas formas de se comunicar simultaneamente?
Ao contrário do que pregava a antiga máxima de que “uma imagem vale mais do que mil palavras”, a diversidade de recursos audiovisuais à serviço do jornalismo atual, ainda tem como empecilho o processo pelo qual os usuários foram preparados para decodificar uma informação. Ricardo Nunes define os novos leitores como ‘scanners de informação’ em busca dos pontos mais atrativos no imenso universo de notícias e matérias divulgadas diariamente na rede de forma frenética e confusa. Para Ricardo Nunes, “esta é, seguramente, uma das ironias da aventura digital: o processo on-line não previu uma aprendizagem formal por parte dos leitores. O novo formato impôs-se enquanto modelo, forçando a uma pedagogia autodidata, contrariamente ao tradicional ensino livresco e presencial de uma sala de aula”.
Em um recente mais criterioso e demorado estudo realizado, Ricardo Nunes retrata a comprovação de que mesmo com a supremacia da imagem da sociedade moderna, ainda  grande maioria dos leitores recorrem com o olhar, em um plataforma multimídia, primeiramente para a parte escrita do que as imagens, infografias, links e vídeos. 

2. ANÁLISE DO SITE CARTA CAPITAL

A revista Carta Capital é um produto semanal que trata de assuntos ligados à política e economia com linguagem formal e artigos extensos na versão impressa. O portal propõe interação com o leitor por meio de comentários e redes sociais, contudo reproduz o padrão impresso. A página principal do site apresenta o resumo das principais reportagens e artigos da edição publicada naquela semana, convidando o leitor a clicar para ler toda a reportagem. Existe também o link para o blog dos jornalistas da revista, onde eles postam artigos que podem ou não terem sido publicados na versão impressa. Nessa mesma página ainda possui slideshow como link para as manchetes, enquete e hiperlinks das duas matérias mais lidas e as mais comentadas, buscando atrair o consumidor a verificar quais foram as notícias que mais repercutiram naquele espaço.

 

As matérias publicadas no site são extensas, como uma reprodução do texto impresso e ilustradas com uma foto e, às vezes, um gráfico ou tabela estática e sem links. O formato não é atrativo para o leitor por ser extenso e principalmente por utilizar uma fonte não adequada ao veículo, o que torna a leitura cansativa. Ao decorrer do texto, sempre existe a opção ‘leia mais’ com hiperlinks que levam para outras reportagens já publicadas em outras edições para complementar as informações daquela notícia. Ao final da reportagem ou entrevista, é permitido ao leitor assinante comentar a matéria com longo espaço para expor sua opinião. Aos demais leitores, é permitido compartilhar o link em redes sociais.

Na sessão de Colunista e Blog, o padrão se repete. Contudo a periodicidade fica a critério do autor, podendo ser diária ou semanal. É percebido que a cada dois ou três dias os colaboradores publicam artigos ou crônicas sobre uma notícia polêmica, mostrando seu ponto de vista e permitindo comentários dos leitores. A equipe de colunista é formada por jornalistas, economistas, sociólogos, políticos, etc. que fazem uso das técnicas jornalísticas na construção do texto, contudo reproduzem o padrão tradicional de reportagem.

Em momento algum o site faz uso de gráficos com links, recursos audiovisuais ou qualquer outro recurso de interação e complementação da reportagem. Ou seja, ele reproduz a linguagem impressa no espaço Web de forma clara e enfadonha.
 
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O que podemos propor para o site da revista Carta Capital é uma adaptação do seu produto para o espaço Web, compreendendo a sua linguagem não apenas textual, mas gráfica e audiovisual, de maneira que se torne um novo produto e não uma versão digital do impresso de forma literal. O site precisa ser reformulado quanto ao uso de fonte, pois as letras são pequenas e o texto muito longo. Uma solução é complementar esse texto com recursos como poadcast, vídeos, gráficos hiperlinkados, etc.

Os espaços para colunistas e blogueiros deveriam ganhar uma aparência mais soft, fazendo uso também dos recursos multimidiáticos de maneira mais livre, ficando a critério do autor a decisão de como seria melhor abordar aquele assunto para interagir com o leitor, independente de ser ou não assinante, além de permitir mais interatividade com as redes sociais e não apenas compartilhar, como já é feito nos grandes portais e blogs.

CONCLUSÃO

Esse artigo buscou levantar conceitos sobre a convergência do jornalismo no âmbito empresarial e também profissional, apontando as perspectivas atuais dentro do ciberespaço utilizando, além das referencias bibliográficas, a análise do site da revista Carta Capital para compreender a aplicabilidade dos recursos visuais e propor novas estruturas quanto a composição das matérias. A utilização e disposição do material audiovisual utilizado na produção de uma notícia pode incentivar ou não a mudança de atitude dos usuários em relação aos novos recursos. Enquanto os jornalistas, a mando dos veículos de comunicação, continuarem utilizando o ilimitado espaço da internet apenas para aumentar o número de toques das suas respectivas matérias, os recursos audiovisuais continuarão sendo utilizados também como um detalhe na produção jornalística deixando de exercer o seu papel de agregador da informação. É função social do jornalismo informar da melhor forma os leitores, estimulando os mesmos a sempre galgarem algo mais sobre o que foi divulgado o que poderia ser facilmente conseguido se os recursos audiovisuais passassem a ser mais utilizados na Revista Eletrônica analisada.



REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

JENKINS, Henry. Cultura da Convergência. Introdução (p. 25-51). Editora Aleph: São Paulo, 2008.

 

NEGREDO, Samuel. SALAVERRÌA, Ramón. Periodismo Integrado – Convergência de médios y reorganizacíon de redacciones. 2008

 

NOGUEIRA, Leila. Reflexões preliminares sobre o uso do vídeo nas produções jornalísticas da Web. Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo. VII Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo. USP, 2009.

NUNES, Ricardo. Informação multimédia: quando os leitores são construtores de narrativas

SALAVERRÍA, Ramón. ENSAYOSConvergencia de médios. Chasqui edición Web - Convergencia de médios. Disponível no site datado: 21/02/11, às 12:43: http://chasqui.comunica.org/index2.php?option=com_content&task=view&id=190&pop=1&page=0&Itemid=64

SALAVERRIA, Ramón. Redacción periodística em internet. EUNSA  Oamplona., 2005.

URETA, Ainara Larrondo. El reportaje se reinventa en la red: estructura del reportaje hipertextual.


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